Teatro Musical

Teatro Musical
Produção: Criaturas Alaranjadas e Signorini Produções

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Crítica Lúcio Flávio (Jornal Meia Hum)

Eu vou tirar você desse lugar – O musical

Espetáculo que homenageia Odair José tem tudo para brilhar no país
Espetáculo que homenageia Odair José tem tudo para brilhar no país inteiro
As músicas de Odair José, independente de seres brega, pop brega ou qualquer rótulo boboca que quiserem dar, mora no inconsciente das pessoas de forma absoluta e apaixonante. Se você duvida então vá conferir o musical Eu vou tirar você desse lugar, em cartaz no CCBB Brasília de hoje a 1º de junho. Com direção e roteiro de Sérgio Maggio, jornalista e dramaturgo da cidade, o espetáculo é um passeio delicioso pelos maiores sucessos do cantor popular que vendeu milhões de discos, foi perseguido pela ditadura e até hoje, aos 65 anos, continua na ativa, emocionando fãs com seu cancioneiro romântico.
Mas engana quem pense que a peça é uma biografia musicada do cantor e compositor. Valendo-se apenas das canções do artista, o diretor e autor, com bastante irreverência e criatividade, cria um enredo cheio de drama, nostalgia, alegria, intrigas familiares, e, claro, muita música. No palco, oito atores, entre eles a diva Maria Alcina e uma banda de “rock ‘and’ roll” comandada pelo diretor musical Alex Souza, ajudam a contar essa história.
História que começa no final dos anos 20, São Paulo, terra de grandes riquezas e onde a elite da cidade, formada por políticos, barões do café e industriais, farreiam na noite num badalado bordel comandado por uma cafetina do balacobaco. Paralelamente somos apresentados ao drama de Odilon e seu filho Mathias, que não se entendem. O pai quer ver o filho com diploma de doutor na mão. O filho quer seguir carreira de artista. Odair José 2
“Sonho é coisa de menininha”, avisa o pai, vivido pelo ótimo ator Jones de Abreu que, quando solta a voz, se revela um cantor de grande talento.
Passado anos, o público é transportando para os anos 60 onde os conflitos entre pai e filho estão ainda mais acirrados por conta do clima da guerra fria vigente no Brasil com a ditadura militar. É quando entre em cena assuntos como censura aos artistas, liberdade de expressão e ideologias políticas. “Não sei o que é pior, ser comunista ou artista”, ironiza o pai advogado.
Estrela do espetáculo, a cantora Maria Alcina – cantora e dançarina de destaques da música brasileira nos anos 70 -, vive aqui com toda sua simpatia, alegria de viver e vozeirão de arrepiar, a dona de um cabaré no passado que retoma o empreendimento anos depois em nome dos velhos tempos. É nesse ambiente de luxúria, prazer e liberdade que pai e filho irão se confrontar e se entender.
Com trama bem amarrada, cheia de situações divertidas no estilo comédias de erros, e atuações estupendas, Eu vou tirar você desse lugar, que traz cenografia apropriadamente cafona, tem tudo para ser um dos grandes sucessos dos palcos brasileiros este ano. A forma como o autor encaixa os sucessos do cantor e compositor goiano Odair José entre uma cena e outra, apresentando personagens marcantes de suas canções como a prostituta, a empregada doméstica, o artista sonhador, entre outros, é hilária. “O amor de cortesã é choro e vela”, brinca um dos personagens.
E claro, ao som de hits como A noite mais linda do mundo, Eu, você e a praça, Minhas coisas, Uma lágrima e, claro, Eu vou tirar você desse lugar, entre outros, o público se deixa envolver cantando em uma só voz os grandes sucessos. E o que é melhor, saem do espetáculo embalados pelas canções de Odair José.
* Este texto foi escrito ao som de: 20 super sucessos (Odair José – 2004)

Primeira temporada Brasília

Sérgio Maggio encerra apresentação em Brasília neste domingo

Publicação: 01/06/2014 14:13 Atualização: 01/06/2014 17:08

'Odair José fez coisas incríveis como colocar guitarra nas modinhas sertanejas', diz Sergio Maggio ( Carlos Vieira/CB/D.A Press)
"Odair José fez coisas incríveis como colocar guitarra nas modinhas sertanejas", diz Sergio Maggio

Um dos primeiros sucessos de Leandro e Leonardo é Cade você, do Odair José que, nos anos 70, já tinha quebrado tudo. Ele é o mesmo cara capaz de naquela época, dizer que um homem pode casar com uma prostituta e ser feliz", ressalta o dramaturgo Sérgio Maggio, enquanto celebra a mais recente empreitada nos palcos: um musical. Depois de quase um mês de apresentações, a temporada chega ao fim no CCBB, com a derradeira apresentação às 20h.

"Minha mãe, Dona Estér, me jogou nesse lugar: e eu tenho que agradecer. Foi a partir dela que se fez uma conexão na minha cabeça com a ambientação da peça", sublinha Maggio. O título do espetáculo, por sinal, já ressalta a abordagem que pende à transitoriedade: Eu vou tirar você desse lugar — As canções de Odair José. "Todos os personagens querem sair do lugar em que estão", justifica o também escritor e jornalista.

Com a retomada dos musicais no final dos 80, e começo dos 90, Sérgio Maggio conta que passou a ser "um espectador intenso" do gênero. Das várias fases, ficaram marcas das peças importadas; no final dos anos 80, a retomada foi traçada por Marília Pera, com Elas por ela e depois ainda acompanhou a onda dos biográficos, com obras de Charles Möeller e Cláudio Botelho. Mas, contrariando a obviedade, nada de traços da trajetória de vida de Odair José, numa vertente biográfica, habita Eu vou tirar você deste lugar.

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O peso do brega igualmente é contestado pelo autor do espetáculo. "O Odair é conhecido por defender as empregadas domésticas, dar uma identidade para elas. A questão do brega foi rótulo do qual o próprio Zeca Baleiro, no passado, já tinha libertado Odair José. Zeca afirmou: ‘esse cara é rock’n’roll!’ Ele organizou um CD em que o melhor da nata do pop rock gravou. Isso jogou Odair em outro lugar", destaca o jornalista.

Depois de ouvir com atenção a mais de 150 músicas do ícone, Maggio não esconde feição de quase tiete: "Odair José fez coisas incríveis como colocar guitarra nas modinhas sertanejas. Então, lá nos anos 70, o pessoal da Tropicália se identificou, e ele que virou um tanto do grupo. No LP Phono 73 — O canto de um povo, o Caetano Veloso canta com ele. Ele tava com Gal Costa, com a Maria Bethânia, com a Nara Leão e era incensado, justo por estar fazendo algo novo".

 (Divulgação)

Três perguntas // Maria Alcina

Na São Paulo dos anos 20, houve uma cortesã que tinha a cidade aos seus pés, mas não queria deixar a chamada vida fácil, mesmo diante de uma penca de oportunidades. Com direito à futura e intrigante escultura em Mausoléu no Cemitério da Consolação (SP), intitulada Interrogação, um dos maiores amores da moça — um renomado aristocrata — deu trágico fim ao romance, nesta que foi das histórias que inspiraram Sérgio Maggio a criar o musical apresentado no CCBB. Outra das pontas da criação da peça que abriu muitas frentes na lida com 40 profissionais envolvidos, responde pelo nome de Maria Alcina. "Quando fui escrever tudo, pensei: ‘quero uma cantora que possa ser atriz’. Eu escrevi o personagem central para ela", explica, em torno da musa que, por coincidência, celebra 40 anos de profissão da cantora.

Como se deu o início de sua carreira?
Na verdade, eu não tenho uma formação acadêmica. Não estudei música, nem entrei em conservatório. Foi ao contrário dos meus irmãos instrumentistas que, todos, estudaram música. Isso, por meu pai ser um apaixonado por música. Sou da época em que a mulher era para casa, para casamento, e eu sempre tive espírito de porco — querendo estudar, e não conseguia. Sempre fui de observar, então, tudo para mim tava valendo e era lindo. Fui autodidata, sempre no método acertando e errando. Profissionalmente, canto desde 1972, no Maracanazinho, quando fui lançada no Festival Internacional da Canção, cantando Fio maravilha (do Jorge Ben).

Há coisas que passaram, sem serem aproveitadas, nestes 40 anos de profissão?
(Risos) Houve algo muito inesperado, lá nos anos 70: o João Bosco me deu músicas, ele foi encontrar comigo, me mostrou as composições, e o Fagner também havia mandado músicas para mim e eu estava no carro, com meu empresário, e o carro foi roubado e tava a fita toda lá... Então, o ladrão levou o carro com a fita e tudo mais (risos).

Sua música chegou ao exterior?

Hoje, com a internet, todo mundo tá no mundo, né? Eu comecei a ir para os Estados Unidos, em 1984, para fazer carnaval... Fiquei praticamente até meados dos anos 90, sempre viajando e tive a oportunidade de ficar lá, um ano, trabalhando. Meu público era de brasileiros, espanhóis e americanos. Variava muito, de acordo com o show que a gente ia fazer. Era gostoso. Tive a oportunidade de ter ficado fora do Brasil, mas eu nunca consegui me ver nesta perspectiva.

Odair no Correio

Sucessos do cantor Odair José ganham roupagem roqueira em musicalDirigido por Sérgio Maggio, o projeto " Eu vou tirar você deste lugar" está em cartaz até 1º de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)

Publicação: 07/05/2014 08:17 Atualização: 07/05/2014 09:25

Foram mais de 350 horas de ensaio e o esforço de uma equipe de 50 pessoas para dar vida a um projeto inédito, que reverencia um dos maiores ícones da música popular brasileira. “Vejo muitas homenagens aos artistas que já se foram, é claro que é bom que se faça. Mas se puder ter isso em vida é ainda melhor. Passa a sensação de que meu trabalho foi válido”, emociona-se o goiano Odair José, que dominou as paradas musicais nos anos 1970 com sucessos como Cadê Você, Pare de tomar a pílula e a canção que dá nome ao espetáculo, Eu vou tirar você deste lugar, em cartaz até 1º de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

O elenco: caras novas das artes cênicas brasilienses dominam o espetáculo (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
O elenco: caras novas das artes cênicas brasilienses dominam o espetáculo


“Demorou, mas foi muito prazeroso, fizemos tudo na base de muito afeto”, define o diretor Sérgio Maggio, que encarou o desafio de montar um musical que não fosse necessariamente uma biografia cênica, mas uma criação que tivesse a ver com o universo de Odair José. “Quando Sérgio me procurou, fiquei muito feliz e sempre acompanhei, foi um processo longo”, conta o próprio cantor.


Odair prestou uma espécie de consultoria na escolha das músicas do espetáculo. “Ele foi extremamente generoso, apontou as canções que mais tinham a ver com ele e com o roteiro“, revela Alex Souza, diretor musical e intérprete que, ao lado de outros três músicos, permanecem durante todo a apresentação no palco transformado em cabaré. Uma das gratas surpresas do musical é a performance da cantora Maria Alcina. “Tivemos uma preparação espetacular, esse palco virou minha casa, fui muito bem recebida. O pessoal vai ter que me mandar embora, senão eu vou ficando”, conta ela. 

Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José

Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, Trecho 2, conjunto 22; telefone 3108-7600), de 8 de maio a 1° de junho, de quinta a sábado às 21h e domingo às 20h. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Classificação indicativa: 10 anos.

Odair no G1 DF

06/05/2014 19h45 - Atualizado em 07/05/2014 13h50

Canções de Odair José inspiram espetáculo musical em Brasília

'Eu vou tirar você desse lugar' traz músicas de várias épocas do cantor.
Montagem com Maria Alcina no elenco estreia nesta quinta (8) no CCBB.

Do G1 DF
Odair José (Foto: Divulgação)O cantor e compositor Odair José, que inspirou o musical "Eu vou tirar você desse lugar" (Foto: Divulgação)
Parte do universo de personagens criados pelo cantor e compositor Odair José ganha vida no palco do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a partir desta quinta-feira (8). O musical “Eu vou tirar você desse lugar” é atração até 1º de junho, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
No espetáculo, tipos retratados pelo artista em suas músicas, como a prostituta da canção que dá nome ao musical, a empregada doméstica e o jovem sonhador, vivem histórias encenadas por um elenco composto por oito atores, entre eles a cantora Maria Alcina.

Entre as composições de Odair José que fazem parte da montagem estão alguns de seus maiores sucessos, como "Eu vou tirar você desse lugar", "Pare de tomar a pílular" e "Cadê você".

Segundo o diretor do espetáculo, Sérgio Maggio, ao retratar personagens marginalizados pela sociedade Odair José criou uma narrativa inovadora. “As músicas são todas composições de forte cunho social, para os anos 1970 e ainda hoje”, afirma. Para ele, as canções permanecem vivas no imaginário popular brasileiro ainda hoje.

O próprio Odair José foi chamado para supervisionar a pesquisa musical e a escolha do repertório. "Não foram selecionados apenas os meus hits", afirma o cantor.
“Fiquei muito satisfeito, após esses tantos anos de carreira, de saber que o meu trabalho de cantor, compositor e cronista poderia, além de tudo, chegar a esse tipo de alcance. Ou seja, ir para o palco."

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Odair no Correio Braziliense

Sérgio Maggio prepara espetáculo com Maria Alcina e inspirado em Odair José"Todos os personagens estão em trânsito, e querem deixar o lugar", explica o diretor

Publicação: 07/04/2014 07:00 Atualização: 07/04/2014 10:08

Para Sergio Maggio, o cantor Odair José é fonte de inspiração e pesquisa para a trilha sonora do espetáculo (Iano Andrade/CB/D.A Press)
Para Sergio Maggio, o cantor Odair José é fonte de inspiração e pesquisa para a trilha sonora do espetáculo

Enamorado do abrasileiramento dos musicais, promovido pelo caráter de crônica das peças de Arthur Azevedo, no início do século 20, o jornalista e escritor Sérgio Maggio, às vésperas da estreia da mais nova obra, promete: “Acho que é o primeiro musical midiático de Brasília. Poderia estar acontecendo em São Paulo ou no Rio de Janeiro. A gente está fazendo o eixo torcer o pescoço para cá. É um movimento inverso do que ocorreu com Os miseráveis, quando, em 2000, vários talentos locais deixaram a cidade para despontar”. Com algo do teatro de revista e com um quê burlesco, Eu vou tirar você deste lugar tem o sotaque “da boa música brasileira, no centro do palco” (leia-se Odair José), mas teima em desembocar em referência à Argentina.

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Buenos Aires é o nome da praça em que se deu crime — com saldo de três tiros na face de uma cortesã — atrelado ao mote do musical. E, vale lembrar, foi na capital portenha que Sérgio Maggio assistiu a uma franquia de Mamma mia!, um dos seus musicais favoritos. Saiu do espetáculo com a certeza: “Vou fazer um musical com dramaturgia inédita. O Odair José veio de modo automático, pelo fato de ser um cronista”.

Depois de pesquisa musical do universo brega (para O cabaré das donzelas inocentes) e de “mexer numa ferida”, com a peça Eros impuro, que excursionou por 11 capitais, o dramaturgo ouviu da mãe, dona Ester: “Meu filho, da próxima vez, faça alguma coisa mais leve”. A proposta do musical casou com “matriz da infância”, melhor, com Odair José, na rota dos radinhos de pilha das empregadas domésticas de quem Maggio “ficava nas mãos”, por ser o filho caçula. “Via a loucura delas com o Odair, que era ‘o terror das empregadas’”, recorda-se.

O musical

"Quando eu comecei a pesquisar teatro, a assistir às peças, o musical sempre teve um lugar de fascínio. Gosto do teatro do Walter Pinto, das vedetes; aliás, sempre gostei de filmes musicais", conta o dramaturgo Sérgio Maggio, ao cercar a mais nova incursão nos palcos, Eu vou tirar você deste lugar — As canções de Odair José, em cartaz a partir de 8 de maio, no CCBB. Uma retomada dos musicais, no final dos anos de 1980, motivou Maggio a observar o forte diálogo entre as montagens brasileiras e a estrutura do século 20, do teatro de revista. "Na virada dos séculos 19 para o 20, as revistas ficaram extremamente fortes, mas com toques importados. Aí vem a música brasileira, com a Chiquinha Gonzaga se encontrando com os musicais", reforça o dramatugo.

À frente do espetáculo Eros impuro, que rendeu prêmio de melhor dramaturgia em portal de alcance nacional, o baiano-brasiliense teve que frenar a quantidade de apresentações, para se dedicar ao projeto do musical, selecionado entre outros 49 (dentro de universo de 2000). Uma cortesã paulistana, incapaz de deixar a vida mais folgada, no final da década de 20, e um crime que a cercou serviram como impulsos para o musical.

"Fiz uma conexão ainda com Madame Pommery e aproveitei, da história de Nenê Romano, algo que me intrigava: para onde teriam ido as jóias, após o crime?", comenta Maggio. Espectador intenso, desde a época da importação de vários musicais — "foram muitas as franquias da Broadway, antes de se tentar um caminho brasileiro, feitas com musicais temáticos e a onda dos biográficos" —, o autor do musical conta que, entre fevereiro e março de 2013, se dedicou a intensa percepção das coletâneas, dos vinis e do material sonoro da internet que fazia jus ao ídolo Odair José.

"Vejo ele como o cara que saiu de Morrinhos (Goiás) e foi pra São Paulo. Queriam que ele fosse meio Jovem Guarda, meio Roberto Carlos, mas ele tava ligado em Peter Frampton, em Bob Dylan, e no country americano", demarca Maggio. Ele sabia que não queria fazer algo biográfico do musical e, autorizado por Odair José, buscou a materialização do projeto orçado em R$ 300 mil. Obras de Charles Möeller e Claudio Botelho — com sucessivos espetáculos ligados às imagens de Cole Porter, Beatles e Milton Nascimento — afinaram a percepção entre a ponte do que foi produzido entre o Brasil e a Broadway.

Minimizar a obra de Odair José é algo que, nitidamente, incomoda ao dramaturgo. "As pessoas sem maiores informações tem esta percepção do lado brega", demarca. Balançar a estabilidade de São Paulo como "meca dos musicais, em que compra a franquia de um espetáculo e se monta" está nos planos, indiretos de Sérgio Maggio, que deu espaço para muitos profissionais locais, ao emplacar o musical "mais midiático" da capital brasileira. Figurinos de Roustang Carrilho, expoente da Universidade de Brasília, estão entre as conquistas do espetáculo que terá música ao vivo.

Do limão, limonada

Num breve histórico sobre a escalada dos musicais no Brasil, a projeção de Odair José casa com a cristalização do golpe militar. "Com ele, veio a decadência das grandes revistas. Nos anos 60 e 70 chegam os musicais brasileiros mais politizados, com o Opinião e A ópera do malandro, que, a princípio, mundial, coloca Chico Buarque tratando do universo das favelas. Na sequência, veio o Dzi Croquettes, pendendo para o escracho, e que passará ao besteirol, e, em seguida, se chega ao sumiço dos musicais", aponta. O formato muito industrial e a estrutura hierárquica muito forte adotada por profissionais como Miguel Fallabela e Cláudia Raia — "com rígida criação de coros e orquestras" — não interessa muito ao diretor em eterno processo criativo, mas coletivo.

A possibilidade de mercado, "vislumbrada na retomada dos musicais, nos anos 80, com profissionais como Marília Pera", porém, faz parte das maiores ambições. "Quando fui escrever, pensei: ‘quero uma cantora que possa ser atriz’", lembra Maggio, ao apontar a menina dos olhos no musical: a veterana Maria Alcina. Na trama que dá forma à derrocada de promissor advogado de família muito tradicional, Maria Alcina desponta como uma cortesã de ampla experiência (sob a alcunha de China, nome aliás pertencente à outra obra do dramaturgo: O cabaré das donzelas inocentes). "Em 2002, ela lançou uma caixa e assisti a um show, em Brasília, no Feitiço Mineiro. Ela passou mal, sentou à minha mesa e socorri ela, levando para camarim e hospital", rememora. A retribuição de tanta presteza parece em curso, dado tanto esforço da atriz que está em preparo sistemático e se mudou, de mala e cuia, para Brasília.

domingo, 30 de março de 2014

Bastidores

Maria Alcina soltou os braços na chegada dos ensaios e encontrou-se com o elenco formado por Camila Guerra, Gabriela Corrêa, Gabriel Estrela, Jones de Abreu, Rodrigo Mármore, Luiz Felipe Ferreira e Tainá Baldez

segunda-feira, 24 de março de 2014

A espetaculosa Maria Alcina



Maria Alcina já está em Brasília para os ensaios do musical Eu vou tirar você deste lugar - As canções de Odair José, que estreia em maio no CCBB.